Resignificando a vida

To nem aí!

Toda vida no Brasil, sempre fui muito “certinha”.

Certinha no comportamento, atitudes e no jeito de vestir. Combinava os tons das roupas, sapato, bolsa e acessórios.

Morando no Sul, vestidos e saias sempre foram acompanhados por meias de nylon. Lembro de um episódio que me chamou atenção: na inauguração do Iguatemi Brasília me senti o ET da festa pois, era a única mulher que estava usando meias de nylon com o vestido.

No verão se estivesse muito branca, o que sempre fui, evitava usar vestido. Mostrar as pernas só era permitido (na minha cabeça é claro) depois que tivesse tirado o mofo e pegado uma corzinha, coisa nada fácil pra mim.

Cabelos, tinham que estar arrumados e quando não se apresentavam de acordo, eram presos.

Usava saltos. Nos últimos anos, dei meu grito de liberdade e abandonei os saltos, só usava sapatilhas. Scarpins ou sapatos com salto, só em ocasiões especiais.

Ai, vim morar na Europa. Quanta diferença.

Por ser um continente que tem muito tráfego de turistas, as cidades recebem pessoas de todos os cantos e diferentes culturas.

Então, o que se usa no Japão não é moda na Alemanha, e tão pouco nos Estados Unidos. Ou seja, cada lugar tem suas particularidades e extravagâncias.

As pessoas, por estarem em férias, querem se sentir confortáveis. E isto implica num dress code simples e sem frescura.

Mas, o mais legal neste continente, é que as pessoas não estão nem aí para o que os outros possam pensar sobre sua forma de vestir.

Coisa que no Brasil, pelo menos em Porto Alegre ou em São Paulo, é bem diferente.

Outro dia uma amiga gaúcha que está morando em Lisboa, esteve no Brasil para visitar a família e comentou: “gente as mulheres se arrumam pra ir ao cabeleireiro, me senti a mais mal arrumada, um peixe fora dágua.” E é assim mesmo.

Me identifiquei 100% com o povo daqui.

Agora, quando vou pra rua, coloco a roupa que me dá vontade, sem me preocupar se estou branca demais pra usar vestido ou bermuda. A bolsa foi substituída por mochila e as sapatilhas deram lugar aos tênis.

Claro que não sou louca, e quando tenho alguma ocasião “especial”, me arrumo mais bonitinha rsrsrs, mas isto não é mais uma “obrigação” para satisfazer a sociedade.

E esta sensação de liberdade e livre arbítrio, é mais uma das muitas vantagens de se morar aqui. Não tem preço.

Agora, porque eu demorei tento tempo para rever meu “estilo “de vestir e de encarar a vida, não me perguntem.

Só sei que agora me sinto livre, leve e solta. E isto é muito bom.

Hoje, to nem aí!

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