Resignificando a vida

Meus Vizinhos!

Todos nós, independentemente de onde moramos, temos algum vizinho.

Se for num condomínio, provavelmente serão os que moram nas casas mais próximas. Num edificio, podem ser os do mesmo andar, os que se encontram na portaria e assim por diante.

Pois eu, aqui em Portugal, encontro meus vizinhos no café que fica no meu prédio.

Um casal de brasileiros assumiu o café em janeiro/2019 e, desde então, se tornaram meus vizinhos amigos e queridos.

A comida é brasileira e maravilhosamente preparada pelo Santoro, tem também pasteis de feira, bolos caseiros, esfihas, pão de queijo, brigadeiros e sucos com polpas de frutas. Tudo com um gostinho especial do Brasil.

Gosto muito de ter a opção de descer todo dia ou, um dia sim outro não, pra almoçar, tomar um café, comer um pastel ou, só jogar conversa fora.

É lá que encontro com a Fernanda, uma senhora querida que mora no prédio e almoça quase todos os dias no café. Uma vez quando fui para o Brasil, a Fernanda foi no meu apartamento, recolheu a roupa que estava estendida na área e ainda ficou cuidando das minhas plantinhas.

Tem a Luisa, outra moradora do prédio que volta e meia está tomando um café e é muito divertida. Quando não nos encontramos, pergunta pro pessoal onde eu ando.

Elas me dão dicas de tudo: onde consertar a batedeira, onde trocar o fecho de uma bolsa e onde reformar as roupas, entre outras coisas. Falamos do custo de vida, do tempo e do verão que, este ano, está insistindo em não aparecer.

Tem a Sara, outra moradora, uma menina querida que indicou uma academia, ginásio, como os portugueses chamam por aqui.

A Mara, esposa do Santoro e sócia do café, responsável pelo atendimento querido e mega simpático com todos os clientes.  Sempre que consegue, chega junto pra papear com a gente.

Uma vez comentei com a Mara que amo capeletti e não estava encontrando nos supermercados.  Numa bela manhã, me manda uma mensagem pedindo pra eu dar uma descida no café, tinham uma surpresa pra mim.  No final da tarde desci.  Me deram um saco de capeletti. Tinham feito as compras para o café, viram o capeletti e lembraram de mim. Quando perguntei quanto tinha custado ela respondeu: ‘imagina, é só um miminho’.

Coisa mais querida.

Além da Mara e do Santoro, tem o Sr. Armando que também atende os clientes.

Um Sr. muito simpático e querido que conhece todos os clientes e é casado com a dona Rosa. Dona Rosa é minha amiga no facebook e sempre posta receitas de doces maravilhosos. Um dia perguntei se ela fazia todos aqueles doces e a Mara comentou que a dona Rosa fazia uma torta de bolachas maravilhosa. Não perdi a oportunidade e, como boa cara de pau, falei que adoro torta de bolachas e quando ela fizesse, poderia me dar uma provinha.

Pois, outro dia a Mara novamente me manda uma mensagem: “Jan, quando der desce aqui que tem outra surpresa pra ti”. Lá fui eu no café e qual era a surpresa? A dona Rosa tinha feito uma torta de bolachas inteira e mandado pelo Sr. Armando pra mim. Pode isso?

Quando agradeci a torta, que estava uma delícia, dona Rosa falou que como eu gosto tanto de leite condensado, qualquer dia ela vai fazer um pudim de leite condensado pra mim. Como se não bastasse toda essa querideza, disse que quando eu quisesse comer torta de bolachas era só avisar o Sr. Armando; ele daria o recado e ela faria a torta pra mim. É muito abuso não?

Tem também o Daniel, um menino que auxilia o Santoro na cozinha e que, apesar de estar há pouco tempo no café, é um querido e sempre que anda pela esplanada é super gentil e atencioso.

Uns 2 meses atrás, comentei com a Mara que não estava encontrando trigo para fazer tabule e ela falou que comprava no Macro. Pedi pra comprar pra mim. Quando ela foi fazer as compras, me avisou que não tinha e que os funcionários do Macro achavam que nem teria mais trigo para vender.

Ontem desci pra comer um pastel no final da tarde e a Mara: “eu ia te ligar, mas não tive tempo, olha o que achei”, e me deu um saco de trigo pra tabule.

Que maravilha, quanto te devo, e ela novamente: “imagina, só um miminho, nem sei quanto foi”.

E vocês, também tem os melhores vizinhos que alguém poderia ter?

Eu tenho. Gente fina, elegante e sincera que, acima de tudo, trocam muito mais que uma xicara de açúcar. Trocam carinho, afeto e amor. E isto, não tem preço!

Muito obrigada meus vizinhos queridos, vocês fazem a diferença nos meus dias!

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